Montando o Programa Nacional

11 de Junho de 2007 @ 11:18 por admin

Reportagem: Flavia Garcia Reis

Os debates realizados na sala da oficina nacional formarão o documento do modelo para o Programa Nacional, que deverá incluir os formatos para a capacitação dos educadores e para o monitoramento de qualidade para avaliar os mesmos. Conforme informado, os participantes se dividiram em quatro grupos – regiões Norte e Nordeste; região Centro-Oeste; regiões Sul e Sudeste; e São Paulo – e responderam determinadas perguntas encaminhadas pelos organizadores da Oficina.

Na manhã do último dia do evento foi realizada uma Plenária para unir as questões abordadas por cada grupo durante a Oficina. Foi verificado um consenso na base das propostas apresentadas pelos quatro gupos, o que representou um ponto bastante positivo. Entretanto, em relação às definições do perfil do educador, critérios de inclusão e exclusão, currículo, carga horária, material educativo e certificação, os presentes concordaram com a indicação de um grupo de trabalho para a discussão e unificação do documento que será encaminhado ao Ministério da Saúde.

Grupo de Trabalho

Ficou definido, então, que num prazo de 30 dias (até 6 de julho de 2007) as propostas serão analisadas pelo grupo formado por um representante de cada entidade abaixo citada:

- Associações: ADJ, Relad, RNPD, Fenad
- Sociedades Científicas: SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes) e SBMF (Sociedade Brasileira de Medicina da Família)
- Universidades
- Conselhos: Conass, Conasems e Conselho Nacional de Saúde
- Ministérios: MEC e Ministério da Saúde

Esses atores deverão chegar a um consenso em cima das propostas descritas, durante a 1ª Oficina de Trabalho sobre Educação em Diabetes. Eles fecharão o documento que será passado a todos os participantes desta primeira etapa de trabalho.

Próximas Etapas

Após a elaboração deste programa nacional, com particularidades para os 27 estados brasileiros, a intenção é realizar encontros estaduais para o treinamento e divulgação das informações e deliberações da 1ª Oficina.

É importante também a montagem de um banco de dados dos centros que já fazem a educação em diabetes, em todo o país, para que seja enviado ao Ministério da Saúde, junto com o Programa Nacional, para que o governo possa certificar estes centros. Os organizadores da 1ª Oficina solicitaram que os centros de educação do paciente com diabetes que queiram ser certificados encminhem seus dados para a Relad.

Atividades na América Latina

11 de Junho de 2007 @ 11:14 por admin

Reportagem: Flavia Garcia Reis

A sala da Oficina Latino-Americana fez uma relação de compromissos assumidos por cada país até a próxima oficina, em 2009. A Sra. Rosário García orienta que os países precisam de um modelo de educação unificado, mesmo em casos de países muito grandes e diversificados como o Brasil, tendo os princípios básicos iguais. Além disso, ela afirma que as pessoas com diabetes são muito potenciais para participar do processo de educação. “É importante ainda que todos os grupos de educação tenham um profissional formado pela IDF”, afirma.

Os participantes de cada país apontaram alguns compromissos bastante possíveis e outros ambiciosos, ou com metas e prazos muito estreitos. Nestes casos os senhores Edwin Jimenéz Sancho, Sussana Feria de Campanella (ambos da IDF-Saca) e Rosário García orientaram os grupos para estabelecerem metas mais fáceis de serem cumpridas nestes dois anos.

Certos países já possuem a formação e certificação de educadores conforme o modelo da IDF e pretendem continuar as atividades desenvolvidas e ampliar a divulgação da educação de forma a atingir um maior número de pacientes. Abaixo seguem os compromissos assumidos por alguns países da américa latina:

Uruguai – unir a sociedade científica com as associações e atuar com base no modelo de formação de educadores da IDF para formar um educador em cada distrito, iniciando o curso no segundo semestre de 2007.

Brasil – estruturar um programa nacional de educação em diabetes, adaptável a cada região, junto com os ministério da Saúde (MS) e da Educação e Cultura (MEC). Está sendo criada a Relad Brasil (com a nomeação dos consultores) e, os participantes desta oficina, estão redigindo e analisando as propostas para este programa.

Nicarágua – revisar o programa existente no país (com grupos formados por endocrinologista, psicólogo, nutricionista e voluntário) e incorporar pessoas com diabetes na capacitação.

Porto Rico – atualizar o currículo de ensino para oferecer um curso de educador em diabetes, antes do final do ano 2008 e estabelecer, por escrito, um acordo com as entidades e o governo.

Colômbia – submeter á IDF-Saca o trabalho existente no país para que este seja validado e permitir que outros países possam utilizá-lo, certificar os profissionais e oferecer um estudo piloto de capacitação da educação latino-americana.

Equador – buscar aliança com as unidades de endocrinologia e criar uma equipe de trabalho multidisciplinar que atuará de acordo com os moldes da IDF, neste primeiro ano, para que esta equipe dissemine a educação em diabetes por todo o país, instruíndo e formando equipes.

Desafios da Lei 11.347

5 de Junho de 2007 @ 17:07 por admin

Reportagem: Flavia Garcia Reis

Os participantes da oficina nacional concluíram que alguns desafios precisam ser superados como, por exemplo, a sensibilização dos gestores para que trabalhem as questões políticas e financeiras necessárias para a suplementação da lei. Além disso, a busca do equilíbrio entre usuários e gestores, bem como a divulgação da lei aos pacientes e sensibilização dos mesmos, são fundamentais para o controle social da lei.

A partir das 14h de amanhã (quarta-feira, 6 de junho), será realizado um Fórum Nacional para discutir os compromissos da Lei Federal11.347. Neste encontro, serão abordados os seguintes tópicos: fornecimento e racionalização de custos e logística entre governo, sociedade civil e indústria farmacêutica.

Leia a lei na Íntegra

Traçando o Perfil do Educador

5 de Junho de 2007 @ 17:05 por admin

Reportagem: Flavia Garcia Reis

A sala nacional está realizando debates setorizados para montar um panorama da atual situação da educação em diabetes, no Brasil. Os participantes se dividiram em quatro grupos para debates – regiões Norte e Nordeste; região Centro-Oeste; regiões Sul e Sudeste; e São Paulo – e responderam determinadas perguntas encaminhadas pelos organizadores da Oficina. Os resultados destes debates formarão o documento do modelo para o Programa Nacional, que deverá incluir os formatos para a capacitação dos educadores e para o monitoramento da qualidade, para avaliar os mesmos.

Atualmente não há como mensurar o número de pessoas que trabalha com a educação dos pacientes com diabetes, tendo em vista que no Brasil não há uma certificação, ou mesmo formação, deste profissionais. Com a continuação dos trabalhos iniciados pela Relad, nesta Oficina, os organizadores esperam desenvolver um formato unificado e que atenda a todos os estados brasileiros. No Brasil, existem vários serviços de endocrinologia, hospitais, universidades e centros de atendimento ao paciente que atuam com a educação, mas não há um programa do Governo
Federal.

Em relação aos requisitos mínimos para os educadores que estão sendo discutidos na Oficina, um dos primeiros pontos foi a definição de três níveis básicos para a formação deles:

1. Profissional graduado em nível superior que trabalha na área da saúde
2. Profissionais de nível médio e técnico que atuem em saúde
3. Agentes comunitários, comunidade em geral, pacientes e familiares

Características Individuais

Ter empatia, sensibilidade à causa, conhecimento do diabetes, habilidade pedagógica, criatividade, ética, o dom da comunicação, ser persistente, paciente, conviver com pessoas com diabetes, saber ouvir, trabalhar em equipe e estar periodicamente atualizado foram os itens citados como requisitos para os educadores. Além disso, ter habilidade para articular em prol da implementação da lei, organizar o serviço com base em um protocolo estabelecido pela região (este protocolo ainda não existe).

Um ponto muito importante, abordado na discussão do dia 4 de junho, foi a questão que educador em diabetes não deve fazer prescrição de medicamentos. Afinal, além de qualquer profissional da saúde poder se tornar um educador, o tratamento terapêutico defendido é a instrução do paciente, para que sejam evitadas as complicações.

Conscientização dos Profissionais

5 de Junho de 2007 @ 11:58 por admin

Reportagem: Flavia Garcia Reis

Em primeiro lugar, é preciso que os profissionais acreditem na propriedade terapêutica da educação em saúde. Esta opinião é comum entre os vários profissionais presentes na 1ª Oficina. Para Rosa Sampaio – do Ministério da Saúde – é preciso, ainda, trabalhar o conceito do cuidado continuado. Ou seja, a formação de um ciclo de atenção ao paciente, que vai desde o cuidado familiar, passando pela atenção básica (com primeira consulta, orientações gerais), pelas equipes de urgência e emergência, internação, cirurgia e todas as etapas envolvidas, voltando sempre para a atenção básica.

Para o endocrinologista Raimundo Sotero, presidente da Regional de Sergipe da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, é preciso que esta preocupação com a educação do paciente seja geral. “Deve ser como um “spam” do bem. Não adianta achar que o método funciona. Nós temos certeza que educar é evitar complicações. Ter diabetes não é um atestado de complicação, é apenas uma aquisição de um problema crônico, que vai depender do paciente se o saldo será positivo ou negativo. E, para que o paciente tenha ciência dos problemas que poderá enfrentar, ele precisa ser instruído”, afirma ele.

A Dra. Adriana Costa e Forti, representante da Sociedade Brasileira de Diabetes, presente na Oficina, acredita que este processo de “dar as mãos” - iniciado com a criação da Relad e fortalecido pela realização deste evento e pela criação da Relad Brasil - é tão importante quanto a conscientização dos profissionais da saúde.

Estão envolvidos: Governo federal, gestores estaduais e municipais, a Sociedade Científica, a sociedade civil, prestadores de serviço e usuários (pacientes e familiares). Todos em prol de um mesmo objetivo.

“Sabemos que a educação é a arma terapêutica mais importante para o diabetes. Estamos vendo, aqui, esta movimentação em torno da criação de uma rede, que agrega diversas entidades preocupadas e atentas com a atenção à educação. Estou muito animada com este movimento, já institucionalizado, e acho que é por aí. O processo educativo requer que todos estes atores estejam ativos e participando de um mesmo objetivo”, finaliza a Dra. Adriana.

Atlas de Educação em Diabetes

5 de Junho de 2007 @ 11:56 por admin

Reportagem: Flavia Garcia Reis

Uma pesquisa mundial, realizada pela OPAS e OMS, resultou na publicação de um Atlas que identifica os programas educativos, dificuldades, número de pacientes em cada país participante. Durante esta 1ª Oficina Brasileira e Latino-Americana de Educação em Diabetes, o atlas foi apresentado pela Sra. Micheline Meiners.

Sua meta era desenvolver um documento que pudesse reunir os dados dos programas existentes, de forma a possibilitar a troca de experiência entre eles e contribuir para o surgimento de novos centros de educação de pacientes. Apenas os casos de Diabetes Melittus tipo 2 (DM2) foram analisados neste trabalho, que englobou 19 países, entre os anos de 1999 e 2002.

A crescente incidência do aparecimento do diabetes tipo 2 em pacientes jovens, em idade reprodutiva – situação preocupante devido ao fator de hereditariedade do DM – foi um dos principais problemas identificados durante esta pesquisa. Foi atestado, ainda, que os custos governamentais em relação ao diabetes representam de 2,5% a 15% do total gasto pelos sistemas de saúde nos países. Outro fator preocupante citado foi a questão psicossocial dos pacientes.

Segundo Micheline, com este trabalho foi possível perceber que existem muitos programas educativos interessantes e bem elaborados, nos países da América Latina, para o paciente com DM2. Entretanto, também há uma enorme falta de conhecimento dos profissionais e associações, que acabam não trocando informações antes de criar o seu programa e encontrando muitas dificuldades, por acharem ser pioneiros.

A proposta – de Sergio Metzger, Edwin Jimenés, da própria Micheline e de alguns profissionais presentes – foi a criação de um Atlas Nacional, e atualizado. Até porque nestes últimos 5 anos alguns centros iniciaram seus trabalhos educativos com pacientes.

Foco no Paciente

4 de Junho de 2007 @ 18:41 por admin

Reportagem: Flavia Garcia Reis

Betsy Rodriguez
A Sra. Betsy Rodriguez reforçou a importâcia de o educador saber como abordar os pacientes, lembrando que são mais do que resultados de exames e que não há uma forma única de orientação para eles. É preciso bom senso e avaliação caso a caso. Durante sua apresentação na tarde de hoje (4 de junho), ela mostrou os sete comportamentos que devem ser inseridos no dia-a-dia do paciente. São eles:

1. Se alimentar de forma saudável.
2. Praticar atividades físicas.
3. Monitorar os valores da glicemia, lipídeos, pressão arterial, etc.
4. Utilizar a medicação corretamente (quando necessária).
5. Encontrar soluções agradáveis para as suas limitações.
6. Reduzir os riscos de ter complicações.
7. Se adaptar a um estilo de vida saudável e às condições que o diabetes impõe.

Consolidação e Consenso São Palavras-Chave no Processo

4 de Junho de 2007 @ 18:40 por admin

Reportagem: Flavia Garcia Reis

Em todos os debates, é possível ver a importância do envolvimento do Ministério da Saúde nesta busca pela maior divulgação das informações sobre o tratamento do diabetes e na formação de educadores.

Rosario Garcia - Rosário García A Sra. Rosário García – do Centro de Educação e Informação Vivir Con Diabetes (CUBA) – defende a consolidação da força individual dos profissionais da saúde, sem esquecer que, mesmo sendo um país muito grande, o Brasil precisa de uma organização nacional. Com sua experiência em Cuba, ela afirma que não é preciso considerar como educadores apenas aqueles que tenham o título da IDF. Entretanto, é preciso um consenso nacional que determine as necessidade básicas para a formação de um educador em diabetes.

Para o Dr. Raimundo Sotero, vice-presidente da Fenad, é preciso acreditar na eficácia terapêutica da educação em diabetes. Segundo ele, esta Oficina é de grande relevância, pois conseguiu reunir um bom número de pessoas interessadas em educação em saúde. “Precisamos utilizar esta ferramenta para poder atingir, de forma convincente, não só o paciente, mas também a família e o meio em que ele vive. O processo de educação não é pontual, ele deve ser disseminado e a melhor forma de difundir este processo, no Brasil, seria com a participação de educadores dentro do Programa Saúde da Família (PSF)”, afirmou.

Um Trabalho em Conjunto

4 de Junho de 2007 @ 18:39 por admin

Reportagem: Flavia Garcia Reis

A senhora Betsy Rodriguez, responsável pela área de educação da IDF (International Diabetes Federation), é uma das coordenadoras da sala de debates latino-americana. Ela reforça a importância da informação correta ao paciente, pois é preciso que ela saiba que terá dias bons e dias maus e que precisa estar sempre controlado, para manter a qualidade de vida. Este encontro representa, para ela, um momento de conscientização.

A IDF considera os promotores de saúde também como educadores em diabetes, mas afirma que é preciso definir requisitos mínimos para os mesmos. Além disso, “os educadores precisam saber que, se trabalharem em conjunto, alcançarão uma meta muito maior do que se estiverem sozinhos em seus centros. Temos que envolver outras áreas igualmente comprometidas com o ato de exercer a cidadania”, afirma Betsy.

Esta idéia é complementada pela afirmação do senhor Sérgio Metzger, diretor da RNPD e Relad: “Vamos avançar nesta área se pensarmos no bem estar da pessoa com diabetes como um todo, deixando de lado o pensamento individual e indo além da área educacional. Cuidar da pessoa com diabetes é uma questão de cidadania”. A intenção da Relad, de agregar pessoas para fazer a Lei Federal 11.347 ser cumprida, reforça esta necessidade de trabalhar em conjunto

A Oficina como Primeiro Passo

4 de Junho de 2007 @ 18:38 por admin

Reportagem: Flavia Garcia Reis

Um dos principais propósitos da realização deste evento, conforme informado anteriormente, é a união de esforços e idéias para a construção de uma política nacional de atenção básica aos pacientes com diabetes. Lembrando da definição de saúde – descrita pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 1948 – como o “estado completo de bem estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doenças”, o conselheiro José Marcos de Oliveira* afirmou que a realização da Oficina possibilitará, em primeiro lugar, a criação de um perfil diagnóstico nacional, com foco na política pública de atenção ao paciente, buscando a divulgação das informações básicas para evitar que as pessoas desenvolvam o diabetes ou as suas complicações, nos casos de pacientes já diagnosticados.

Para ele, “esta oficina possibilitará, e muito, a criação das diretrizes de saúde, a serem utilizadas nos próximos quatro anos para o programa nacional, que será debatido e desenvolvido durante a 13ª Conferência Nacional de Saúde”. A Conferência acontecerá de 14 a 18 de novembro deste ano, em Brasília, com o tema Saúde e Qualidade de Vida.

*José Marcos é Representante do Conselho Nacional de Saúde e está participando ativamente do evento, tendo apresentado o formato atual do SUS aos presentes.