Pode um cão reconhecer hipoglicemias em seres humanos?

Ninguém sabe exatamente como eles fazem isso, mas um número crescente de cães está ajudando pessoas com diabetes.

Existe uma organização nos Estados Unidos chamada Dogs for Diabetics (Cães para Diabéticos). Esta organização, sediada na Califórnia, treina cães para responder a quedas acentuadas de glicose no sangue, em seres humanos.

Os cães de assistência, como cães-guia para cegos, cães que “ouvem” para os deficientes auditivos, ou cães que buscam objetos para pessoas em cadeira de rodas, tem ajudado os seres humanos por décadas. Agora temos cães treinados para identificar a hipoglicemia em pessoas com diabetes. Para os cães, é como um jogo, mas para os seres humanos que vivem com eles, os resultados são miraculosos.

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A ciência ainda não conseguiu revelar se os cães podem realmente fazer isso.”Nós acreditamos que os cães estão percebendo os odores que são criados por mudanças químicas que acontecem no corpo da pessoa”, acredita Darlene Sullivan, diretora executiva da Canine Partners for Life nos Estados Unidos. O primeiro estudo acadêmico para avaliar quão bem os cães detectam a hipoglicemia está sendo feito por Deborah Wells, da Universidade de Queens, em Belfast, Irlanda do Norte. Se ela verificar que os cães podem alertar para quedas de glicose no sangue, seu próximo projeto será identificar a qual motivação sensorial os cães estão reagindo.

Parte do que é misterioso sobre estes cães é a sua confiabilidade. Treinadores dizem que os cães estão certos em 90 por cento do tempo. Eles também parecem ter uma habilidade que nenhum kit de teste pode oferecer: a capacidade de perceber uma queda perigosa da glicose no sangue antes da queda realmente ocorre. Alguns cães tornam-se tão bons na detecção dos níveis baixos ou altos de glicose no sangue que passam a “diagnosticar” as pessoas ao seu redor. Em um caso, um cão de assistência para diabéticos começou a “cavar” o joelho de uma pessoa estranha. Quando a mulher foi testada, seus níveis de glicose no sangue estavam muito altos e ela foi diagnosticada com diabetes tipo 2.

Um artigo de um jornal britânico, em 2000, despertou o interesse de treinadores de cães e especialistas em diabetes. Ele relatou as experiências de três mulheres diabéticas, uma com diabetes tipo 1 e as outras com tipo 2, cujos cães previram o início de um episódio de hipoglicemia. Os cães mudavam drasticamente o seu comportamento quando sentiram a queda da glicemia de seus donos, pulando, correndo em volta da casa, se escondendo sob cadeiras, empurrando-as para fora da cama, ou colocando a cabeça ou patas no colo de suas donas, até que elas ingerissem carboidratos para normalizar os níveis de glicose.

Uma história pessoal:

Um cientista com diabetes tipo 1, Mark Ruefenacht trabalhava como voluntário no treinamento de cães. Durante uma viagem de negócios, Mark comeu um donut de chocolate antes de dormir e tomou insulina extra para compensar. Mas ele não verificou a glicemia. Benton, um cão que estava treinando para ser um cão-guia, estava com ele naquela noite e percebeu que a glicose de Mark tinha abaixado repentinamente e tentou acordá-lo. Mark ganhou Armstrong, um labrador amarelo cão-guia de cegos, logo percebeu que Armstrong tinha um nariz ótimo para os odores da hipoglicemia. Mark treinou Armstrong para alertar de forma coerente a queda de glicose em seu sangue, mas o cão poderia sentir a baixa de glicemia de outras pessoas? Mark pediu à educadora em diabetes Jeanne Hickey, que também tem diabetes, para vir vestida com as roupas que ela usava em um momento de hipoglicemia. Quando ela entrou no recinto onde estava Armstrong, ele alertou. “Esse foi o nosso grande momento”, disse Mark.

Ele fundou a Dogs for Diabetics ou D4D, como é conhecida, em 2004. No começo, tentou treinar os cães para alertar um valor específico de glicose no sangue, que causa sintomas na maioria das pessoas, mas não conseguiu essa precisão. Os cães, de fato, reconhecem o cheiro emitido quando uma pessoa com diabetes começa a entrar em uma queda rápida da glicose no sangue. Mark percebeu que esta forma era muito mais útil, pois dá tempo para tratar a alteração antes que ela se transforme em uma crise. Agora, após três anos de colocar em atividade os primeiros cães treinados para diabéticos, ele diz: “Os clientes estão voltando dizendo – eu nunca tive um controle tão bom da glicemia na minha vida, antes de ter este cão”.

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Donna Cope, mãe de uma criança com diabetes que mora em Miami, diz: “você percebe que vale a pena cada centavo que se gasta e cada minuto que você teve que esperar pelo cão”. Angel sua filha de onze anos tem como guardião um belo Pastor Alemão. Donna diz, “Este cão é incrível. Ele vem correndo até nós no meio da noite com o kit de teste da minha filha em sua boca”.

Mantenha-se em segurança:

Ainda assim, a melhor opção para as pessoas que passam por episódios graves de hipoglicemia é trabalhar com sua equipe de saúde para aprender a ajustar a insulina, a dieta e a atividade física de forma segura. Embora seja óbvio que os cães têm uma capacidade incrível, ainda há muito a ser aprendido sobre como eles percebem a hipoglicemia, portanto, mesmo que você possua um cão para diabéticos ainda precisa se cuidar e fazer exames regulares de glicose no sangue.

Diabetes Focus, Diabetes South Africa, Spring 2009, Issue 59, pages 6-7.

Tradução e adaptação:
Cinthya Ugliara, veterinária formada pela Universidade Metodista de São Paulo.

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One Response to “Pode um cão reconhecer hipoglicemias em seres humanos?”

  1. Paulo Trad disse:

    Sou diabético e gostaria muito de aprender a adestrar meu labrador. Paulo

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